23 de janeiro de 2010
Rotina
a ousadia é a rotina da invenção
a brisa é a rotina da carícia, a rotina da água é a delícia
o encontro é a rotina da esquina, a rotina dos olhos é a menina
a sensação é a rotina do calor, a rotina do corpo é o frescor
a rima é a rotina da poesia, a rotina da folga é o meio-dia
a liberdade é a rotina de ser, a rotina dos sentidos é o prazer."
21 de janeiro de 2010
Recordações
Pra ela, era sagrado aquilo que mais parecia um ritual.
Ao seu redor, lixo, papel e objetos velhos impediam que sequer enxergasse a cor da cerâmica. Ali podia ficar horas lendo e relendo aqueles papeis amassados e amarelos, de tão antigos.
Caixas e mais caixas revelavam pessoas, sentimentos, lágrimas ou sorriso de saudades.
Tudo bem organizado e separado conforme estava seu humor há um ano. O que na última arrumação pra ela serviu, este ano talvez, o único destino seria o lixo.
Agora outras cartas, objetos, dos mais simples aos mais complexos, voltavam para caixas ou envelopes, desta vez com nova organização ou separação. O que pra muitos não significa nada, aquele cheiro de papel velho, a alucinava e fazia com que em frações de segundo retornasse à lugares, reencontrasse pessoas, ressentisse sentimentos..
Tentava sentir cheiro de amor, no cheiro de flor, velha e seca por causa d tempo. Tentava sentir a mesma adrenalina que lembrava aquele cartão de táxi com a observação impressa “Aceitamos cartões”. Sorriu, ao lembrar daquela noite que só acabou quando o sol saiu.
Um outro colar de miçangas amarelas, que sabe que nunca mais vai usar simplesmente por que caiu de moda, mas que retorna à caixa apenas por lhe trazer boas lembranças da Copa do Mundo de 2006.
Tudo. Toda carta e objeto. Com cheiro de velho, com lembrança boa. Que lhe fazia reviver o tempo. E aproveitar mais. E escutar o que a mãe sempre dizia...
“Não sei por que reclama tanto! Essa é a melhor época da sua vida! Aproveita! Você não tem responsabilidades! Um dia vai ver que agora é feliz e não sabe!”
Hoje. Só hoje ela percebeu o quanto significado tiveram aquelas palavras.
Recordações da adolescência. De quando seu manequim era 36, fumava cigarro escondido, encarava uma festa até às 5 horas da manhã mesmo depois de um dia todo de trabalho, seu dinheiro era apenas pra comprar xampu, roupas e sapatos caros, e ganhava a maioria dos convites das festas que ia. Recordações de 4 anos atrás, de um mês atrás.
Lembranças.
Saudades...
7 de dezembro de 2009
Vida S/A
A primeira coisa que fiz, quando foi proposto dissertar sobre o livro “O Monge e o Executivo” em forma de crônica, foi procurar o significado da palavra que melhor descrevesse a obra, no dicionário mais conhecido e usado da língua portuguesa. A palavra é Líder e o dicionário, Aurélio.
Decepção.
O que encontrei foi o seguinte:
Líder: Substantivo de dois gêneros. Guia, Chefe
Sinceramente, não chega nem perto do significado ao qual cheguei à conclusão depois de ler 103 páginas do autor James Hunter.
Dois profissionais com maneiras de agir totalmente opostas, porém, ao meu ver, cruciais para o funcionamento de qualquer grupo que é conduzido por uma pessoa.
Fundamental, eis a palavra mais cabível ao assunto, fundamental é o exercício, tanto do líder, quanto do chefe. Digo isso, não só pelas constantes experiências que passei com profissionais a quem fui subordinada, mas também a maior escola sobre líder e chefe a qual todos nós estamos submetidos a passar. Nosso próprio ambiente familiar.
Eu poderia ficar aqui dissertando a respeito de todas as empresas pelas quais passei; seus líderes, que conduzem o grupo de forma mais ampla e receptiva; ou dos chefes com seus pensamentos fechados, e nunca dispostos a acatar novas opiniões. Prefiro apenas falar das pessoas que além de me conduzirem nessa grande empresa chamada Vida foram, acima de tudo, um exemplo de que pessoa e até mesmo chefe deveria ser: Papai e mamãe, maneira carinhosa como chamo essas duas pessoas de personalidades tão distintas.
Existe um estigma, talvez embasado no tempo de nossos avós, de que o chefe de família é o pai. Aquela figura que, não deixa de passar por nossa cabeça, de um homem severo, pulso firme, grandioso, e que, em hipótese alguma, deveria ser questionado, nem pelos filhos, tampouco pela esposa. Na família Barbosa o chefe, ou melhor, a chefe sempre foi Dona Vânia, minha mãe.
Foi ela que tantas vezes me dava medo, só de pensar qual seria a bronca quando eu não cumpria com minhas tarefas de casa. Uma pessoa extremamente fechada, com a qual eu não tinha liberdade de falar certos assuntos, no que, até hoje, com 21 anos de idade, vejo dificuldade. Sempre forte e imponente, parecia que nada conseguia abalar aquela mulher. Talvez pelo pensamento de um chefe: “Se eu brincar, eles (os filhos), relaxam e, não me reconhecem como a autoridade que devo ser para eles. Se não for durona, eles ficam moles, e não me respeitam”.
Não vou julgar agora a forma como mamãe educou a mim e a meu irmão, afinal, foi justamente por ser tão “durona”, que conseguiu conquistar o respeito que temos por ela hoje; o que fez com que Dona Vânia nunca passasse por tantas dificuldades na condução de seus filhos, que tantas famílias enfrentam hoje em dia.
Rebeldia, drogas, violência, e até mesmo a falta de satisfação de: pra onde vai, com quem vai, e a que horas vai chegar. Isso tudo passou longe da minha casa. Hoje somos adultos e graças à autoridade de minha mãe.
Do outro lado da moeda, o líder da família: meu velho amigo pai. Amigo, pois acredito que a figura que temos do líder é aquele cara que é amigo de todos; está sempre aberto a discussão de novas idéias, a ouvir seus problemas, mesmo que pessoais. Vai a festa com o grupo liderado, senta à mesa com seus amigos e toma um chope. Essa é a perfeita descrição de meu pai.
Quando criança, me lembro que a única vez em que o senhor Valdivino tirou o cinto e dobrou, ameaçando educar de forma violenta, foi quando eu e meu irmão não demos ouvidos ao seu alerta de que se continuássemos brincando com as telhas da reforma da minha cassa, iriam acabar quebrando. Estava chovendo, era um sábado feriado (ou seja, nenhuma loja aberta), e quebramos algumas 20 telhas e, apesar da lona improvisada, deixamos a cozinha alagada, durante o restante daquele sábado e durante todo o domingo. Surra merecida. E depois da surra, papai foi para o quarto chorar.
O que acontece é que papai, assim como um bom líder, conseguia nos chamar atenção para nossos erros, dialogando e fazendo com que enxergássemos onde estávamos “batendo a cabeça”.
No fim, ele sempre estava certo, e ainda repetindo, como bom líder, nos apontava caminhos, e suas conseqüências, deixando a nosso cargo a responsabilidade de tomar a melhor decisão.
Hoje, mesmo quando falo ao telefone com este homem, algumas amigas estranham a forma como nos tratamos, parecendo que falo com um velho amigo sobre os assuntos mais evitados por filhas para falar com seus pais: Sexo, drogas, bebidas, festas, namorados, peguetes (vulgo ficante). Assim como um líder conversa a respeito dos assuntos mais distantes da relação funcionário-patrão com seus subordinados.
O que chego à conclusão é que, um grupo, seja ele de uma empresa, de soldados ou de alunos como exemplificado no livro “O Monge e o Executivo”; ou até mesmo de filhos, como no caso em que eu citei, sempre precisa de um líder a frente, para serem bem conduzidos.
E como em todo âmbito de coordenação, sempre existe um chefe a frente de um grupo. Na empresa onde trabalho e em várias outras que trabalhei, enquanto o diretor, e também esposo da proprietária conduz os funcionários de maneira mais próxima, sua esposa, é a razão, quem freia suas decisões que às vezes podem passar da medida certa do que diz respeito ao “liberal”.
Da mesma forma, na minha família. Enquanto mamãe era a autoridade incontestável, papai cumpriu perfeitamente a figura de compreensão e líderança.
Acredito que essa é a melhor forma de conduzir um grupo. Com a liberdade de um líder e o chefe freando algumas de suas decisões. Com apenas uma ressalva: que estes dois personagens ajam em conjunto e em perfeita harmonia, como papai e mamãe e, meu patrão e patroa.
27 de novembro de 2009
Sentimento de perda
Tenho pouca e vaga lembrança da minha primeira perda. Eu ainda era criança, 4, 5 anos. Na verdade uma das poucas coisas que consigo me lembrar. Meu avô paterno, chegava em minha casa sempre de surpresa. Às vezes a casa estava suja, e mamãe vivia reclamando. Mas ele nem ligava. Gostava de sentar numa poltrona velha que tínhamos na sala, ao lado, uma mesinha de madeira antiga, um copo de leite misturado com café bem quente e doce, e eu no seu colo. Ele ficava passando os dedos entre meus cabelos, que nessa idade eram encaracolados, e desfazendo cada cacho repetia:
_Minha bonequinha dos cachinhos dourados...
Confesso que apesar dele viver me comparando à tal Cachinhos Dourados, eu nunca tive a curiosidade de saber a verdadeira história desse clássico infantil.
Daí um dia, meu avó passou mal durante a festa de aniversário de meu irmão, foi levado às pressas para o hospital, e a partir daí não podia mais tomar leite com café e açúcar. Só adoçante. Engraçado, eu não entendia bem o que era aquilo. O porquê de minha mãe ficava tanto tempo no hospital. Um dia, quase um ano depois, mamãe nos acordou no meio da noite, e a gente foi caminhando pelas ruas escuras da cidade. Me lembro bem disso. Chegando à casa de meus minha avós, meu avô estava no meio da sala, deitado numa “cama”, que achei um tanto estranha. Todos iam cabisbaixos, alguns choravam, e ficavam olhando meu avô. Aquilo me deixou meio perplexa, afinal, pra que ficar olhando ele dormir?. Mas o dia passou, a noite já estava caindo, e ele não acordava.
_Mamãe, por que o vovô dorme tanto.
_Porque ele dorme lá no céu, e nunca mais vai acordar.
Não entendi, afinal ele não estava no céu, estava ali... Na nossa frente.
A partir disso, passei a tomar leite com café, sozinha.
Depois, outra perda, não tão mais importante, mas que me fez sofrer muito. Foi meu primeiro namorado. No ápice dos meus 15 anos, ainda descobrindo o que era amor, paixão, tesão, meu namoradinho passou no vestibular em uma cidade há 25 horas de carro de onde morava. Era muito ingênua ainda, hoje acredito que o que sentia por ele não era amor. Mas foi uma perda diferente, eu o ver indo embora, sabendo que não havia possibilidade de namorarmos de novo.
Pouco tempo depois disso, nossa família descobriu que meu outro avô, dessa vez o paterno, estava com câncer. O pior foi ouvir da boca de um médico infeliz, que ele tinha mais 3 anos de vida. Isso foi em junho de 2001. Apesar das cirurgias, da esperança, do tratamento, das orações, eu fui vendo aquele homem gordo, e praticamente negro, de tanto que andava no sol (ele adorava fazer uma caminhada! Sempre preferiu ir aos lugares a pé que de carro), ir perdendo a cor, os cabelos agora praticamente todos brancos, e seus ossos estavam à mostra. De bengala, passou a andar com muletas, depois andador, cadeira de rodas, e depois, com uma perna quebrada, e sem a possibilidade de fazer uma cirurgia, já que o câncer o havia consumido por dentro e uma cirurgia era muito arriscado a essa altura, ele gritava, gemida de dor, quando meu pai carregava ele da cadeira até a cama.
Houve noites, várias noites, que ele dormia na cadeira de rodas. Aquele homem inteligente, que eu conseguia ficar horas conversando com ele sobre qualquer coisa da atualidade, já não conseguia falar. Um dos piores dias foi quando eu cheguei em sua casa tomando iogurte, ele me olhou, com seus profundos olhos azuis cinzentos, como se quisesse aquilo que eu tomava com tanto gosto. Mas não disse nada.
_Você quer, vô?
Ele apenas gemeu.
Peguei a colher, e coloquei um pouco na boca dele. O iogurte escorreu pelo canto da sua boca. Papai chegou na hora e me disse que ele só conseguia tomar água. Eu fiquei olhando... Papai entrou dentro da cozinha, pegou um copo, um maço de algodão, molhou o algodão, e espremeu nos seus lábios secos, deixando alguma coisa cair dentro da boca.
Em julho de 2004, exatos 3 anos depois do diagnóstico, vovô não saía do hospital. Estava sempre no balão de oxigênio. No dia 22 de outubro, eu estava em casa ouvindo música no último volume, e mamãe disse que eu tinha que visitá-lo. Desliguei o som. No outro dia, debaixo de um temporal, eu estava no quarto dele. Ele estava com as pernas roxas, e não e não conseguia abrir a boca para respirar, emitindo assim um som estranho, com os lábios batendo um no outro, quando o ar saia. Dormia. Pelo menos era isso o que papai falava.
Os trovões e relâmpagos deixavam tudo ainda mais triste. Abracei-o. Não suportaria vê-lo mais naquelas condições. Cheguei próximo à janela, olhei pro céu, e supliquei.
_Não quero mais ver meu avô sofrendo. Quero que ele volte a ser o mesmo homem, forte, feliz, gordo, e que adora caminhar. Se isso não acontecer aqui, leve ele com o Senhor, pra acontecer aí.
Trovão e raio.
Acaba a chuva.
Acho que Deus me respondeu. Era um pedido arriscado, afinal eu podia nunca mais vê-lo. E já prevendo, abracei-o, e disse ao seu ouvido: Eu te amo, e quero que o senhor não sofra mais. Aconteça o que acontecer, agente sempre vai ser os melhores amigos deste mundo!
Três horas depois, já em minha casa, estava eu, minha mãe e meu irmão sentados no sofá. Imóveis, olhando pra televisão. Porém cada um com o pensamento longe dali.
O telefone tocou. Ninguém atendeu. Tocou novamente, cada um olhou para o outro, e eu resolvi levantar. Caminhei uns 5 longos e demorados passos. Na minha cabeça um filme. Tirei do gancho e eu via barulho de chuva do outro lado da linha. Foquei calada, só escutei a voz de meu pai.
-Alô?
_Pai?
_ Minha filha? Disse.
Desde criança, sempre quando papai me chamava de minha filha, era pra me “engambelar”, para que eu aceitasse alguma imposição, alguma proibição, algum “Não”.
_Vovô morreu.
Daí eu descobri que o “minha filha...” também significava “você perdeu alguém que você ama”.
Recentemente, o sentimento de perda tem me atormentado. Eis o motivo pelo qual comecei escrever essa crônica. Mais uma perda, que a grosso modo pode parecer menos importante que todos os fatos que citei.
O que ocorre, porém, é que o mesmo sentimento de angústia está dilacerando. Vontade de chorar, gritar, de abraçar essa pessoa, e não deixar que ela fique longe de mim. O que seria egoísmo da minha parte, já que essa partida vai ser bom.
Não sei bem se eu posso considerar esse fato uma perda. Afinal... (uf) Afinal agente só perde o que um dia já possuiu. A todo tempo me pergunto por que estou assim. Tento definir sentimentos, e sensações. Mas prefiro não fazê-lo, afinal se chegar a algum substantivo que defina isso, pode ser que eu acabe sofrendo, com o que vem depois (a perda).
Resta conformar. Como já disse no início desse texto, resta conformar.
Enquanto isso prefiro me esforçar pra não pensar nessa perda, e apenas aproveitar, cada minuto ao lado dessa pessoa. De olhos bem abertos, mesmo que isso meu deixe com soninho depois.
11 de novembro de 2009
"Playboy" quer Geisy Arruda e Alinne Moraes
Olha só o que deu na Folha on line
"Playboy" quer Geisy Arruda e Alinne Moraes
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Se depender de Edson Aran, diretor de redação da "Playboy", Geisy Arruda e Alinne Moraes estarão na capa da revista de nudez. "Para sair na 'Playboy' a mulher precisa ser gostosa e ter notoriedade", disse ele. Geisy, que causou polêmica ao usar um microvestido na faculdade, também está nos planos da "Sexy". Já Alinne é sonho antigo da "Playboy". "Paqueramos ela faz tempo."
3 de novembro de 2009
Novo layout
depois conto mais, depois ponho mais fotos...
Antes que eu me esqueça, ja que jornalista nao ganha dinheiro, to começando a investir em outras áreas... no layout já tem uma palinha, depois conto mais
bjos







