Realmente. Os poetas se consagraram graças as suas desgraças.
Chega um momento na sua vida que você começa a se deparar com situações que antes nunca houvera dado ouvidos. Era quando seu pai chegava em casa tarde do serviço, com o dinheiro do salário no bolso, algumas rugas, e cabisbaixo. Contava e recontava as notas, separava os bolos e anotava algo no papel. Mas você estava preocupado demais com as bolinhas de gude que perdera para o vizinho ou a nova Barbie estrela do rock que você tanto queria de presente.
O tempo vai passando. Algumas pessoas crescem, outros fingem que crescem, outros preferem viver ali, como aquela criança que não se preocupava com o dinheiro que o pai tinha para pagar as contas.
De repente, parece que você acorda, e olha tudo ao seu redor, e vê, que agora quem vai se sentar naquela poltrona, com uma calculadora na mão e algum dinheiro contado no bolso é você. Você não é mais criança, e agora têm que fazer tudo pensando no seu futuro.
Talvez esse seja meu maior defeito, ou até mesmo uma qualidade. Infelizmente eu não consigo depender deles pra eu tocar minha vida; não é questão de orgulho, mas sim de querer ser alguém na vida, e logo.
Agente cresce, os fios brancos começam aparecer (acreditem, eu tenho fios brancos!), preocupações não se restringem mais àquela festa que você tanto queria ir, mas que o preço do convite é um pouquinho salgado, ou aquele sapato Christian Dior, que você juntou toda sua mesada para comprar. Você se preocupa agora com os compromissos que fez com seu salário, com aluguel, supermercado, prestação de moto. Os meus vão ainda mais além: filhos, casamento, profissão, casa própria, carro, futuro...
Isso tudo tem me tirado o sono.
Por outro lado, tenho vontade de querer ser adolescente de novo, e ficar aqui, no colo da mamãe, pensar só em festas, roupas e sapatos de marca, cheia de gente ao meu redor que me faz bem.
Mas agora tudo é diferente. Eu construí outra vida, eu construí outros amigos, outra família, eu construí os alicerçares do meu sonho, eu encontrei o meu Príncipe, que nem é tão encantado, é uma pessoa comum, mas que é igualzinho eu sonhei nos meus sonhos... Me causa encanto...
E talvez seja ele a minha força, a minha vontade de querer ser como esses mitos que os pais da gente conta pra gente quando agente está assim, cabisbaixo com a vida: Sabe o fulano, minha filha? Comeu o pão que o diabo amassou quando foi morar em outra cidade... passou dificuldades, aguentou humilhações, trabalhou em emprego que não era digno de um ser humano trabalhar... E hoje ele esta aí! Venceu na vida, tem um bom emprego e leva uma vida na classe alta ou média alta.
E aí eu fico olhando eles me contarem desses mitos, e fico pensando se algum dia alguém vai falar de mim assim... a menina que fugiu pra terra do Boi Zebu pra estudar jornalismo, e se deu bem na vida.
Fico pensando... no meu futuro, e não consigo imaginá-lo sem meu Príncipe, o João Carlos e Maria Clara.
Vou sonhar um pouco com isso.
Boa Noite.