29 de junho de 2009

Injustiças

Como um salário comercial pode valer 450 reais sendo que um aluguel de uma casa ou apartamento humilde é 300 reais? Uma compra de supermercado para duas pessoas, digna, no supermercado mais barato da cidade, custa no mínimo 200 reais? fora gastos com luz, agua, e vestuário?
É injusto mesmo.

24 de junho de 2009

O cozinheiro, a Massa, Joãozinho e Maria (qual desses você é?)


Bem, o assunto é o seguinte: Diploma para o curso de jornalismo. Situação um tanto polêmica. O fato já aconteceu há uma semana e eu ainda estava procurando um jeito de escrever sobre isso aqui no blog: se sou contra, ou a favor.
Não vou negar que inicialmente quando o Ministro e Presidente do Supremo Tribunal, Gilmar Mendes, compararam a minha futura profissão a de um cozinheiro, eu fiquei frustrada. Fiquei... fiquei sim, e muito!
Pensei até em virar cozinheira! E olha que não é exagero meu, eu sei que muita gente pensou assim! Queria expor isso, queria falar sobre isso aqui no blog.
Mas preferi guardar a minha opinião e ver como o assunto iria repercutir, para só depois eu vir aqui deixar meu depoimento.
O que acontece é que no mesmo dia, vieram alguns espíritos de porco desinformados, achando uma boa decisão, pessoas, que sinceramente, são completos ignorantes. Achando o must agora a profissão não exigir diploma, por que tantas outras também não exigem.
Tudo bem, apesar do meu pensamento ter mudado um pouco, há uma coisa que ainda defendo. Defendo que essas pessoas que também acham maravilhoso o fato de agora ter qualquer um por aí, que escreve bem, por que esses que escrevem bem, podem receber pouco, pode receber menos que o piso salarial de um jornalista, piso que nem é piso, convenhamos que é buraco, míseros R$700.00 que por sinal mal dá pra pagar uma mensalidade da faculdade.
Essas pessoas, realmente são pobres, pobre de espírito, pois têm a ignorância de achar que pra ser jornalista basta escrever bem, ou falar bem, ter a voz bonita, uma boa aparência. Ora, o que eu faço então durante quatro anos em uma faculdade? Eu disse quatro anos? Oito semestres, não sei quantas bilhares de horas? Nada, simplesmente nada, esse é o pensamento dessa massa. Massa, mas não é massa de comer não.
Massa é um termo que principalmente é falado na comunicação quando queremos nos referir a população que tudo que vê acredita, quer comprar, que ser igual povim ignorante mesmo. É essa massa, que é uma das mais prejudicadas nessa história, pois terão inúmeras pessoas por aí que nunca estudaram código de ética, portanto não sabem que estampar a capa de um jornal com a cabeça do seu filho (eu tô falando com você, Massa) esmagada por um caminhão que passou em cima, é antiético.
Aí, chegam outros "conturbadores de opinião", aqueles que acham que por que fingem que pertencem ao quarto poder, podem formar e conturbar opiniões, e começam a falar asneiras. Exemplo clássico, eu posso muito bem sair falando mal do presidente, e todo mundo vai acreditar em mim, por que saiu no jornal, e de repente, há uma rebelião por que todo país quer tirar o presidente do mandato.
Dá pra entender o poder que concentra nas mãos do cozinheiro cara que escreve bem? De um jornalista?
Ok, certo. Eu tinha de desabafar.
Por outro lado, hoje depois de uma aula com meu professor de radiojornalismo (André Azevedo)., que simplesmente é “o cara”, um exemplo a toda pessoa que está formando em jornalismo e quer ser um intelectual, inteligente e conhecedor do mundo, das novas mídias, cheguei a uma conclusão.
Primeiro, acredito que um bom jornal que se preze não contrataria uma pessoa que apenas sabe cozinhar escrever bem. A não ser que esse cara tivesse uma boa experiência profissional, como é o caso de um colega de faculdade, o Marcelo Lara, que é um ótimo profissional, que eu admiro, que tem anos no mercado, e é muito melhor que alguns que têm diplomas por aí. Caso contrário, que credibilidade teria meu jornal se eu pegasse um cristão que escreve bem sobre religião?
Nenhuma, simplesmente nenhuma. Mas infelizmente esse não é o pensamento de todos os jornais, pelo menos os do interior, eu tenho certeza. Igual na minha terrinha, Ituiutaba, tem um jornal por lá de circulação diária, e com um bom número de assinantes. Agora não me pergunte o número de jornalistas que têm diplomas, daqueles que assinam uma matéria. Se tiver muito é um, que é responsável por todos. Resultado, jornalista diplomado sem emprego, por que o "cozinheiro ali que escreve bem", ficou com a vaga, por um salário de 500 reais!
Já os jornais das grandes metrópoles, estes sim, acredito que não vão fazer a asneira de contratar um cara que não e formado (espero).
E outra, o que eu tô perdendo com meu diploma? Imaginemos uma sala cheia de candidatos a uma vaga de emprego. Eu tenho experiência, e tenho conhecimento de termos técnicos, eu tenho conhecimentos teóricos e até práticos, caso eu aproveitei estágios e laboratórios do curso. Que eu tenho a perder?
Agora imagine o seguinte, por outro lado por que eu vou ficar brigando pra ter obrigatoriedade do diploma, sendo que caso tivesse a situação descrita acima poderia ser a mesma?
Uma sala, cheia de candidatos, todos com diploma, porém tem também a Maria que foi minha colega de classe, e que em todos os trabalhos que eu fiz com ela, ela não fez absolutamente nada! Aquele carinha, o Joãozinho, também está ali, o que dormia enquanto eu fazia uma prova de Antropologia Cultural que era de dupla! A Maria era minha parceira de trabalho que eu marquei com ela vários encontros pra fazer o texto da lauda de radiojornalismo, e em todos os encontros ela faltou! O Joãozinho no grupo de telejornalismo, onde eu era o editor, e ele era o repórter, eu fiz o texto da reportagem, eu fiz o texto da passagem, e fiz também a edição, ele só apareceu na reportagem narrando o texto que escrevi! E aí? quem está perdendo nessa história toda?
A verdade, é que não adianta exigir diploma, se tem muito diplomado por aí que sequer sabe fazer uma lauda de um programa de radiojornalismo ou telejornalismo (ou nem mesmo sabe a diferença entre as duas laudas). E depois você ainda ter que concorrer com o Joãozinho e a Maria que formou com você. Sinceramente, pra mim é o mesmo que concorrer com um cara que apenas "escreve bem".
No mais, faço minha parte. Sugo o máximo que posso dos professores e da faculdade.
Ha! e Joãozinho's e Maria's que vestiram a carapuça quando eu disse que faço os trabalhos sozinha, por favor, não me entendam mal, eu não estou reclamando, pelo contrário, eu agradeço pela oportunidade de estar aprendendo uma coisa que provavelmente você não aprendeu. E no futuro, eu tenho certeza que se nós dois estivermos concorrendo a uma vaga, a vaga é minha, por que enquanto você dormia, visitava a tia no hospital tomando cerveja ou chegou atrasado por que tava dando uma saiu mais tarde do trabalho, eu fiz o trabalho sozinha, aprendi, me dei bem e ainda de sobra tirei nota máxima, pra nos dois é claro, mas que teve valor apenas pra mim.

5 de junho de 2009

Amores Platônicos V - Sob os olhos de Nina

Este é mais um conto da série, Amores Platônicos, sendo que este é uma continuação fictícia do conto III

Acordou com a penumbra do quarto. Os raios do sol pintando o quarto com listras alaranjadas, do nascer. Apertou seus olhos tentando reconhecer o lugar onde estava. Tentou levantar a cabeça do travesseiro mas sentiu uma pontada nessa hora, como se estivesse com ressaca. Forçou um pouco e percebeu Gabriel , sentado ao lado da cama, adormecido, com a cabeça deitada no colchão. Ficou ali olhando o amigo. Parecia que estava sorrindo. Ficou apreciando Gabriel, enquanto tudo ia vindo na mente, um batalhão de imagens, vozes e sentimentos. Se levantou da cama e viu seu reflexo no espelho. Sua pele, antes pano branco-porcelana, agora estivera borrada, com a maquiagem chorada. Seu sorriso, antes admirando o fiel amigo agora se desfazia, em um ar de tristeza e fragilidade.

Nina estava só. Não conseguia lembrar como tudo acontecera, mas se lembrava do que mais a deixa infeliz: Sua briga na noite anterior com seu namorado.

Inevitável. Uma lágrima desceu sua face sem que percebesse. Nina agora observava o quarto do amigo. Cada detalhe, talvez antes nunca houvera percebido sequer a cor das paredes, sequer os porta-retratos que enfeitavam seu armário, com fotos dela e do amigo. Realmente, Gabriel era um grande amigo, sempre ouvia suas queixas, dividia com ela felicidade e tristeza, amigo pra toda hora mesmo. Isso atraía ela. Como não gostar? Como não gostar de Gabriel? Gabriel.. Realmente um anjo na sua vida. Sempre sorrindo discretamente, e observando Nina. Ela fingia que não via, mas ele estava sempre ali observando, olhando e guiando ela.

Um dia percebeu que ele se intimidava quando contava dos seus relacionamento a ele. E depois foi percebendo Gabriel, seu jeito, sua compreensão, seu companheirismo. Tudo que ela precisava. Ela sabia que Gabriel gostava dela, mas não sabia que o gostar de Gabriel não era como o dela.

Abriu a torneira e deixou a água fria correr pelas suas mãos. O frio cortava-lhe a pele, enquanto ela tirava a aliança de prata no dedo anelar da mão direita. Tirou e ficou observando a gravação das iniciais. Pôs o anel cuidadosamente em cima do mármore frio e em um gesto rápido e súbito, Nina jogou um pouco de água no rosto, limpando todo o choro chorado na noite anterior e toda a tristeza depositada na sua alma. Quando foi pegar o anel de volta, em um descuido este cai no chão. E abaixando para pegá-lo, algo no lixo lhe chama atenção. Era um papel amassado onde ela só conseguia ler o próprio nome.

Seu rosto foi se desfazendo em surpresa enquanto lia cada linha do que parecia uma carta, uma carta escrita para ela, porém que nunca houvera sido entregue. Se sentou na cadeira da escrivaninha do quarto e antes que terminasse de ler observou outra folhas do mesmo papel dentro do livro em cima do móvel.

Nina foi lendo e descobrindo Gabriel, descobrindo seu Amor Platônico por ela.

Chegou perto dele e ficou olhando sua face, desenhando na sua memória enquanto procurava resposta para como surgira aquele sentimento no amigo. Nina tocou sua pele, roçando e sentindo o gosto salgado dos lábios de Gabriel.

3 de junho de 2009

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